quarta-feira, 10 de março de 2010

Meu desejo



Corpo nu sobre uma cama fria,
Janela aberta e o cantar das aves...
Um novo dia em alarde se anuncia...
Outra manhã longe da minha mania...

Anseio agora com toda a minha força,
Que em rompante o meu quarto invadas
E, sucumbindo a um desejo urgente,
Teu cheiro espalhes em minh'alcova.

Quero teu cheiro em minha tez.
Teu suco em meus pêlos e boca.
Quero te ver e te fazer louca.
Fazer-te minha de uma só vez.

Beijar-te por fora, sentir-te por dentro,
Deleitar-me com tuas quentes entranhas.
Possuir-te de formas estranhas.
Envolver-te como faria o vento.

Lamber-te os mais doces recantos,
Sorver tua saliva ardente.
Banquetear-me de teu corpo quente,
Arrancar-te os suspiros do teu canto.

Deslizar minhas mãos por teu corpo,
Coxas, ancas, seios, cabelos.
Possuir a ti com todo o meu zelo.
Enlouquecer-te de pouco em pouco.

Dançaríamos dança pregada por Nero
Dois corpos ardendo no calor mais intenso.
Paixão sem travas, paixão sem bom-senso.
Não sei onde estou, mas estou onde quero.

Tu postas de quatro qual fêmea no cio.
Te cubro! Teu corpo me faz macho, dá-me nó...
Seja o mundo eterno ou que se transforme em pó...
De fato só sei que te quero. Em verdade, preciso.

De repente se cria um desejo insano
De beber do cálice entre tuas pernas.
Tua flor desabrocha em belezas internas.
Te farei levitar.... Espera, meu Anjo!

A língua passeia por pele e dobras.
Tão perto o perfume que tua flor exala.
Teu cheiro embriaga, minha razão se abala.
És a fêmea das fêmeas. És mulher de sobra.

Te viras e deitas teu corpo no meu
Acaricias e sugas meu membro em riste.
Tão bom quanto tua boca, só uma coisa existe:
Tua flor gulosa do orgasmo no apogeu.

Por fim te acomodas sobre meu púbis faminto.
Aponto o instrumento que desliza suave.
Já não mais consigo ouvir o canto da ave.
Só me sinto invadindo delicioso labirinto.

Púbis com púbis, os pêlos se cruzam
Teu rosto está lindo, os olhos cerrados.
Meu corpo clama por ser devorado.
Me "come" e deixa que os corpos se fundam.

Põe tuas mãos em meu peito vasto
"Rebola, amor. Assim gostoso!"
"Traz do profundo o meu melhor Gozo!"
Naufraga-me em prazer, sem precisão de lastro.

E morde meu peito de forma animal
Eu quero gritar, e só faço gemer.
Teus quadris sinuosos hão de me enlouquecer.
Meu gozo está próximo, diria: fatal!

Te beijo profundo e tu tentas fugir.
Prendo teus lábios entre meus dentes.
"Não te afastes, anjo, pois tenho em mente..."
"grudado à tua boca aos céus subir!"

Tu me beijas de forma que nunca experimentei
Passagem comprada pro reino das nuvens
Provei de teu corpo do cheiro às penugens.
Te tenho, me tens. És rainha, sou rei!

No meio do encontro das bocas ensandecidas,
Um espasmo em teu sexo gatilho do prazer...
Grito abafado anuncia: Não há mais que fazer.
Teu gozo, meu gozo, nosso gozo. Vida!

Tu gemes baixinho bem perto do ouvido.
Teu cabelo cobre meu rosto, um véu sagrado
Teu suor é o banho de um novo batizado.
Dos dedos as pontas têm ido e vindo.

Ergues-te calma, a mais bela entre os humanos.
Teu rosto espelha meu olhar apaixonado.
Um último beijo e dormiremos, grudados.
Dormirei protegido... por meu anjo

Do teu cheiro


O gosto da tua pele
impregnado em meus lábios
que me mata de sede
à beira da fonte dos teus prazeres.

O teu gosto na minha boca
mel que sacia meus desejos
na hora derradeira
do medo de te perder
em meio aos meus lençóis.

O teu cheiro impregnado
no meu corpo
perfume raro que nem a chuva
leva de mim...


Do teu cheiro
Do teu cheiro

O gosto da tua pele
impregnado em meus lábios
Indecências

Quantas esteiras de luz
se acendem
quando me tocas?
Milhares de estrelas
espetam meus dedos
rios se perdem
deixando em abandono
os seus leitos.
E um atropelo de veias
sangue correndo veloz
sem saída.
Tantas farpas
me cortam a pele
tantos frios
eriçam meus pelos
quando me tocas...
Eu ardo febril
- tantas chamas -
e tremo de medo
- quantos gelos -
quando me tocas...
Tantas catástrofes
tumultos
revoltas
provocas em mim.
Alteram-se os sais
queimam-se calorias
e quantas loucuras
submetes minha química
quantas queimaduras
me causa a tua pele.
A quantos perigos
me exponho
quando me tocas...

que me mata de sede
à beira da fonte dos teus prazeres.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Sem fim


Estou tão cansada de estar aqui
Reprimida por todos os meus medos
E se você tiver que ir,eu desejo que você vá logo
Por que sua presença ainda permanece aqui.

E isso não vai me deixar em paz
Isso simplesmente é muito mais do que o tempo pode apagar.
Quando você chorou,eu enxuguei todas as suas lágrimas
Quando você gritou,eu lutei contra todos os seus medos
Eu sempre estive ali,segurando a sua mão.
E mesmo assim você ainda tem tudo de mim.

Você costumava me fazer feliz,me cativar
Agora eu estou confinada a vida que você deixou para trás,para mim.
A sua voz expulsou toda a minha sanidade
Minhas feridas parecem não curar,não cicatrizar

Eu tentei dizer duramente a mim mesma que você se foi
Porque no fundo eu sempre estive sozinha
Mais embora você esteja aqui comigo
Você nunca estava presente.